BELÉM - PerÃcia feita por especialistas da PolÃcia Federal no trecho da
ferrovia de Carajás bloqueado por militantes do Movimento dos Sem Terra (MST) e pelo Movimento dos Trabalhadores em Mineração (MTM) comprovou que a sabotagem feita nos trilhos na terça-feira poderia ter causado um acidente de graves proporções. A PF decidiu instaurar inquérito para apurar os possÃveis crimes ocorridos durante o protesto.
Os manifestantes retiraram 1.200 grampos que fixam os trilhos, cortaram cabos de fibra ótica, atearam fogo em pneus sobre os trilhos, danificaram 300 dormentes e comprometeram a sustentação da linha ao usar um macaco hidráulico para levantar os trilhos, o que foi constatado na perÃcia. Os danos causados à ferrovia poderiam inclusive provocar o descarrilamento do trem da mineradora Vale, que transporta diariamente 1.300 passageiros de São LuÃs, no Maranhão, até Parauapebas, no Pará.
A PolÃcia Federal e policiais do setor de inteligência da Secretaria de Segurança Pública do Pará trabalham agora na identificação dos manifestantes responsáveis pelos atos classificados como sabotagem pela direção da Vale.
Desde a quarta-feira à noite, quando a ferrovia de Carajás foi finalmente desbloqueada, a PF e a PM do Pará mantêm um efetivo de cem agentes em Parauapebas para coibir de imediato qualquer tentativa de nova interdição da estrada de ferro, nas proximidades do acampamento Palmares II, do MST.
A virulência do ato conjunto do MST e MTM contra a ferrovia de Carajás forçou o governo do Pará a anunciar o rompimento de negociações com os manifestantes garimpeiros, que exigem o cumprimento de promessas feitas pelo governo federal, como o pagamento de resÃduos de ouro do garimpo de Serra Pelada não pagos até hoje pela Caixa Econômica Federal.